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CUIDADO COM OS GOLPES NA HORA DE COMPRAR UM CARRO USADO!

Reportagem - Autos - Jornal A Tarde


Todo cuidado é pouco


A pandemia acelerou as vendas digitais – das compras do supermercado à geladeira –, e no caso dos veículos isso não foi diferente. A plataforma OLX Brasil indica que houve um aumento de 20% nas vendas pela internet entre junho e agosto, quando comparado a meses antes da crise sanitária provocada pelo coronavírus.


Outro dado refere-se aos automóveis premium: levantamento da OLX apontou que as buscas por veículos desse tipo cresceram 23% em agosto, em relação à média de janeiro a abril. Foram mais de 26,7 milhões de anúncios de veículos premium visualizados. Entre as marcas mais buscadas estão BMW, Mercedes-Benz e Audi.


Mas não foi apenas a busca por carros premium que cresceu. A procura por veículos em geral na plataforma teve crescimento de 16% em agosto, em relação ao mesmo período do ano passado, e de 19% na comparação com a média de janeiro a abril.


Golpe comum


Mas a internet, infelizmente, é um terreno fértil para golpes. Um dos mais comuns hoje: pessoas anunciam em sites de compra e venda e recebem uma ligação pelo celular de um suposto funcionário da plataforma, pedindo que confirme alguns dados (todos disponíveis no anúncio) e, depois, pede os seis dígitos enviados por SMS. Esses números darão acesso ao golpista para “clonar” o WhatsApp e ter acesso aos contatos daquela vítima, no famoso golpe de envio de mensagem, pedindo dinheiro emprestado.


“Durante a pandemia, o número de golpes em sites falsos de vendas aumentou muito. O consumidor deve tomar o cuidado de ver se o site é realmente verdadeiro, se o veículo existe, pedir a documentação e checar junto ao Detran a veracidade do documento, antes de pagar, ver se o boleto está com todos os dados corretos e evitar pagar boletos em nome de pessoa física”, recomenda a advogada especializada em direito digital, compliance, LGPD e crimes digitais Olívia Pimentel.


Ela ainda sugere que os interessados busquem comprar de sites conhecidos, pesquisando a reputação do site. “Confira o domínio e a URL, veja se o site tem selo de segurança, consulte se o site tem política de privacidade, confirme as informações de contato (e-mail, endereço, celular/telefone), verifique se o veículo existe, junto ao Detran-BA”. E ainda aconselha buscar por lojas. “O mais importante é estar atento se há reclamações sobre a empresa que o consumidor pretende adquirir o veículo, faça uma busca no Procon de sua cidade, para ver se há reclamações sobre a empresa”, finaliza.


Falso anúncio


Nem os lojistas estão livres. De acordo com Ari Pinheiro Junior, presidente da Associação dos Revendedores de Veículos Seminovos da Bahia (Assoveba) e também empresário no segmento de carros seminovos, os golpes são problema recorrente.


“O que acontece é que o pessoal clona nosso anúncio e coloca um valor mais em conta, bem barato, em um falso anúncio. Quando aparece alguém interessado, ele diz que o carro está aqui na loja e tenta pegar um sinal para reservar”, afirma Pinheiro.


O presidente da Assoveba ainda alerta para uma nova modalidade de crime: a quitação de financiamento. Os fraudadores elaboram telas que imitam as das instituições financeiras e propõem a quitação do veículo a valores atraentes e enviam um falso boleto. “Só que o boleto não é do banco, é do golpista, e a pessoa pensa que quitou e na verdade pagou para o fraudador”, adverte o empresário.


Bruno Daibert é perito automotivo, especialista em avaliação e vistoria veicular. Em um de seus vídeos, ele dá uma dica simples para evitar o golpe da clonagem no anúncio: colocar uma marca d’água na foto, de preferência sobre o carro, e assim haverá maior dificuldade de copiá-lo.


Lojistas são vítimas


“O que mais as pessoas estão caindo, é impressionante, virou uma academia do golpe: você anuncia o carro como particular e alguém te liga interessado. Aí ele te pede para levar o carro a um lojista, que teria vendido o carro dele e está com o dinheiro, para ele fazer uma avaliação. O mesmo interessado em seu carro liga para um lojista, que não tem nada a ver com a história, e pergunta se ele compra um carro. Ele passa os dados do carro e diz para o lojista que a esposa é quem vai levá-lo para ele olhar. Também pede para não comentar o valor com ela. Assim que a vendedora leva o carro lá, o estelionatário ‘fecha o negócio’ por telefone e pede para o lojista transferir o valor.


Ou seja, os dois ficam numa negociação e o cara, que é um terceiro, se passa tanto pelo comprador quanto vendedor. O lojista deposita o dinheiro na conta do estelionatário e, pronto, consumou o golpe”, conta Daibert. Por isso, sugere o especialista, uma das primeiras coisas a ficar atento para não cair em golpe, no caso do comprador, é desconfiar de ofertas muito tentadoras, do preço do carro muito mais baixo do que o valor de mercado. “Não existe o almoço grátis”, brinca.


E outro alerta muito importante: “Desconfie também sempre que houver um terceiro participando da negociação, como o golpe que te contei. Ou seja, alguém intermediando a compra ou a venda. Sempre que aparecer um terceiro, desconfie. E essa é a dica de ouro: nunca, nunca deposite dinheiro na conta de terceiros. Se eu estou comprando um carro seu, eu transfiro para a sua conta, mesmo que o vendedor diga para depositar na conta da esposa ou na conta de uma loja que ele está devendo”, avisa Daibert.


O ideal, segundo ele, é buscar uma loja ou concessionária. A pessoa física, que geralmente vende ou compra o carro, é leiga e não pode se aventurar a fazer uma negociação de um bem tão valioso sozinha. “Se for desse jeito, sugiro contratar uma empresa, um especialista para ajudá-lo na negociação”.


Se for comprar ou vender com uma loja, a pessoa tem a quem recorrer. “Aí entra o Código de Defesa do Consumidor, que dá esse amparo legal. Quando você compra de uma pessoa física, não existe o CDC. Um leigo vendendo para outro leigo, não tem o código do consumidor, ou seja, se der algum problema, pode ir para a Justiça? Pode, mas aí vai ser amparado pelo Código Civil, que é um processo mais complicado, mais demorado”, conclui o especialista.


Soluções para evitar fraudes


As plataformas também buscam ferramentas para reduzir fraudes. A Webmotors informa que uma média de 86% dos anúncios de pessoas físicas é validada de forma automática. Um exemplo é a análise do veículo anunciado, se ele realmente pertence ao anunciante, bem como se não há divergências documentais com base na análise da placa desse veículo.


“Os anúncios não aprovados no processo automático são avaliados pontualmente pela área de qualidade. Em uma análise criteriosa, são verificadas as divergências ou pendências, e, posteriormente, o anunciante deve comprovar a veracidade das informações para possibilitar que o anúncio seja publicado.


A OLX informa que triplicou os investimentos em inteligência de dados e criou a Liga de Segurança e Qualidade, time multidisciplinar de mais de 160 profissionais, como especialistas digitais, analistas de dados, equipe de comunicação, juristas e desenvolvedores focados em combater e prevenir o uso indevido da plataforma em todos os elos de seu ecossistema.


Reportagem: Lúcia Camargo Nunes


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